10/10/2013, Casal real fará uma comemoração na volta para o palácio de Kensignton
Kate
Middleton e príncipe William voltarão a viver no palácio de Kensington,
em Londres, com uma comemoração à altura: a residência real será
transformada em um verdadeiro País das Maravilhas de inverno no próximo
dia 26 de novembro, e o evento contará com um show de ninguém menos que
Bon Jovi.
Kate
e William, pais do pequeno George, de três meses, passaram um tempo
dividindo-se entre a casa do casal em Anglesey e a mansão dos pais dela,
mas agora voltam definitivamente ao palácio. O motivo da festança é
nobre, já que os convidados, que deverão pagar R$ 17 mil para
participarem do evento, estarão contribuindo com o programa de caridade
Centrepoint.
Para fechar a noite com chave de ouro, o evento contará com o show de Bon Jovi, em uma tenda montada no jardim.
Fonte: bonjovibrasil
Lucro de Bon Jovi ultrapassou os US$ 2 milhões em 6 meses!
No final da última semana, a empresa Polistar divulgou os
resultados de uma pesquisa feita para apontar a banda ou artista que
mais arrecadou dinheiro no primeiro semestre deste ano.
É bem verdade de que a banda ainda não
resolveu o impasse entre o líder Jon Bon Jovi e o guitarrista Richie
Sambora afastado por problemas pessoais não participou de uma considerável parcela desses concertos. De qualquer forma, enquanto isso não acontece, eles tem um
grande motivo para comemorar.
O
Bon Jovi tem a turnê mais lucrativa deste ano e já conseguiram
arrecadar cerca de US$ 142 milhões e não há páreo para eles, se
considerarmos que o segundo lugar, o “boss” Bruce Springsteen arrecadou
US$ 40 milhões a menos.
Os
veteraníssimos dos Rolling Stones estão na terceira posição com a
badalada turnê 50 and Counting onde ousaram convidar outros notórios da
música pop para dividir os palcos. A fórmula deu certo e até agora já
arrecadaram US$ 87 milhões.
Na
lista das turnês bem sucedidas também estão outros nomes consagrados
como Paul McCartney, Eric Clapton e Fleetwood Mac. Confira:
1. Bon Jovi – US$ 142,1
2. Bruce Springsteen – US$ 103,9
3. Rolling Stones – US$ 87,7
4. Fleetwood Mac – US$ 58,1
5. Paul McCartney – US$ 43,5
6. Eric Clapton – US$ 28,4
7. Muse – US$ 25,1
8. The Who – US$ 23,5
9. Neil Young – US$ 19,1
10. Dave Matthews Band – US$ 18,6
O Pai da Internet Vint Cerf fala sobre viagens no tempo, pornografia e vício em internet
0 comentários Postado por Jonys2 às 03:37O Pai da Internet Vint Cerf fala sobre viagens no tempo, pornografia e vício em internet!
24 de Maio de 2013
Dizem que sucesso tem muitos pais, mas o fracasso é órfão. Julgando
por esse padrão – ou qualquer outro – a internet é um sucesso. Al Gore
inventou. Tim Berners-Lee conseguiu um título de nobreza por causa dela.
Todo mundo usava antes de se tornar legal. Mas apenas dois homens
alguma vez tiveram o título de “Pai da Internet”. Um deles é o cientista
da computação Bob Kahn. O outro é Vint Cerf.
Se é difícil apreciar a conquista de Vint Cerf, é porque ela está em
todos os lugares. Em algum momento de 1973, Vint Cerf e Bob Kahn
encontraram uma forma de fazer máquinas conversarem umas com as outras
usando um protocolo chamado TCP/IP. O protocolo era simples, elegante e
contagiante. Praticamente qualquer coisa poderia usá-lo. Pessoas diziam
que ele rodaria em duas latas conectadas por um pedaço de corda. Hoje,
ele roda em tudo. Não apenas em computadores. Na “Internet das coisas”,
termostatos, refrigeradores e torradeiras usam. Programação de televisão
e redes de telefones estão ligadas nele. É como se o babelfish de
Douglas Adams fosse reduzido a uma série de pacotes. Quando nós
finalmente nos curvarmos aos nossos líderes robôs, provavelmente vamos
ter que aprender a falar TCP/IP para implorar por nossas vidas.
Obrigado, Vint.
Os interesses e realizações de Vint Cerf vão longe. Quando
conversamos, ele estava trabalhando em problemas de latência associados
ao envio e recepção de sinais de rede do e para o espaço. E ele também
estava preocupado com o aquecimento global. Obviamente, tinha muito mais
coisa para descobrir sobre Vint Cerf.
Mas o que realmente queríamos saber era como o pai da internet faria para acertar pinos de boliche separados.
GIZMODO: Pelo que eu entendo, muito do trabalho que
você fez veio da DARPA, e a DARPA era uma agência que tinha que pensar
em grandes ideias, não em necessidades imediatas, mas coisas a longo
prazo. E de certa forma ela foi uma resposta a grandes ideias como
Sputnik.
Vint Cerf: Isso é parcialmente certo, apesar de eu
achar que a DARPA não se caracterizava apenas por grandes ideias. A
forma como eles caracterizariam a DARPA era “problemas difíceis” que são
coisas super arriscadas que você não está tentando encontrar uma
solução, e ninguém mais está enfrentando. Assim, eles não estavam
interessados em fazer algo que mais alguém estava fazendo, não estavam
interessados em competir com ninguém.
No caso da internet, essa era uma exploração desta tecnologia
particular, a troca de pacotes, que era considerada maluca no momento,
pela comunidade de telefonia convencional. A AT&T não queria nada
com aquilo, não ia funcionar, eles não queriam gastar o tempo naquilo.
Eles estavam felizes em emprestar circuitos dedicados aos idiotas que
queriam criar essa coisa de ARPANET. Então o problema da DARPA tinha
alto risco e altíssimo retorno, se você realmente conseguir fazer
funcionar. E muito do que eles faziam era chegar ao limite de quase
qualquer coisa.
Quando começamos em 1958 queríamos chegar ao espaço. Porque Sputnik
provocou todas as coisas dentro de nós nos Estados Unidos. O que
precisamos é de mais momentos como Sputnik, na verdade. Se estivéssemos
olhando, genericamente, para uma forma de galvanizar o país, o momento
do Sputnik era o que precisávamos. Eu achava que teríamos isso com o
aquecimento global, mas ele não vai acontecer instantaneamente para
criar um sentimento de que se não fizermos algumas coisas estaremos em
apuros. É o tipo de coisa que é cozida lentamente, como um sapo durante
um experimento.
GIZMODO: Que tipo de babaca cozinha um sapo na água só para ver se ele vai morrer? Então este é o alto risco, alto retorno…
VC: Agora nós temos muitas coisas de alto risco em
relação à mudança climática global. E a recompensa é certamente a
sobrevivência. Mas muitas pessoas simplesmente não entendem, e isso é
fascinante.
GIZMODO: Então você é um ambientalista?
VC: Bem, não me qualifico para ser um ambientalista,
mas acredito que temos um problema. Os níveis de CO2 estão altos
demais. A coisa que me assusta mais do que qualquer outra são os
hidratos no fundo oceano. Os hidratos de metano. Agora eles estão
sequestrados porque as temperaturas estão baixas o suficiente. Mas há
evidências, evidências geológicas, de que os hidratos estão começando a
derreter. E eles liberam o metano. O metano é 27 vezes pior do que o
dióxido de carbono; é um gás do efeito estufa. Por isso provocou um
aumento significativo de vários graus durante um período de não sei
quantas centenas ou milhares de anos.
De qualquer forma você não veio falar sobre isso. Mas é uma coisa que
me assusta, não é o problema do CO2, mas se ele provocar alguma coisa
imparável… nós podemos ser uma espécie esperta, mas talvez não
inteligentes o suficiente para entender como podemos sobreviver se tiver
um aquecimento global significativo.
GIZMODO: Até que seja tarde demais. Até que essas situações de alto risco já estejam…
VC: Já estão acontecendo.
VC: O que você quer falar? Espera, você sabe o que a
DARPA acabou de fazer? Esse projeto que começou no laboratório de
propulsão a jato em 1998. Extensão interplanetária da internet. Eles
dizem que falam sério sobre isso. Já fizemos o design, temos os planos,
estamos na estação espacial… eles estão a bordo de sondas científicas de
Marte. A DARPA financiou o teste, inicialmente, para táticas militares
em ambientes simulados.
GIZMODO: É a ruptura da tolerância de latência?
VC: A DARPA lançou mais um estudo de meio milhão de
dólares sobre o design de uma nave espacial para chegar à estrela mais
próxima em um período de cem anos. Então eu sou parte da equipe que
venceu isso… é uma concessão. Não é um contrato, é uma concessão. E é
apenas um estudo, ninguém vai construir nada. Mas os problemas e
desafios são absolutamente fantásticos. Em primeiro lugar, precisamos
atingir a 20% da velocidade da luz para chegar lá, para o ponto médio em
50 anos… caso contrário você voa ao redor do sistema Andrômeda e tira
duas fotos, e é o fim. Não é bom o suficiente. Então você precisa
diminuir a velocidade para entrar em órbita. Em segundo lugar, os
sistemas de propulsão atuais nos levariam até lá em 65.000 anos. Então
temos muito trabalho a fazer.
E existe a comunicação. Como você gera um sinal para quatro anos luz
de distância que você consegue detectar. Então esse é o meu problema,
pensar sobre isso. E então tem a navegação. Estrelas não são o que
parecem ser. A luz leva tempo para chegar lá. Então elas são falsas.
Você precisa imaginar… você está a um ano luz de distância da Terra, e
precisa descobrir o que fazer. Como fazer correções no meio do caminho? E
você não pode fazer isso remotamente, certo? Porque leva um ano para o
sinal de luz ir e voltar. Quando você falar “Você tem que fazer isso”,
eles já estão a mais um ano luz de distância.
GIZMODO: Mais ou menos um ano luz.
VC: Então de qualquer jeito é um projeto que talvez nem seja lançado
enquanto eu estiver vivo, mas não me importo. É uma daquelas coisas que
nós fazemos parte.
GIZMODO: Isso é para a DARPA ou para o Google Maps?
VC: (risos) É para a DARPA, neste caso. Mas já temos o Google Mars, Google Moon, Google Sky e Google Earth.
GIZMODO: Qual é o próximo?
VC: Você sabe o que eu gostaria de fazer? Gostaria
de fazer algo com o Google Earth onde você dá um zoom e descobre a fauna
e flora, e outras coisas. Que tal uma enciclopédia da vida? O que tem
aí? O que pode crescer por aí?
GIZMODO: Que tipo de molde está no seu telhado? (risos)
VC: E então, que tal o universo interior? Não
fizemos nada a respeito… nós fizemos poucas coisas com o oceano, mas não
muito sobre o que está na terra. E se você olhar dentro de organismos?
Pessoas… nós faremos um Google organismos. E humanos são uma escolha
interessante. Porque nós temos quantidades enormes de DNA bacteriano em
nossos corpos. Cem vezes mais DNA bacteriano do que DNA humano. Mas
crescemos, evoluímos com essas coisas.
GIZMODO: Você já se procurou no Google no trabalho?
VC: Não costumo fazer isso. Mas eu deixo um Google
Alert preparado porque é bom saber quem está me atacando agora. Mas não.
Na verdade sou razoavelmente bem tratado. Há um pouco de desavença
agora com a FCC porque eu fui um pouco crítico com o relatório de banda
larga.
GIZMODO: Qual relatório de banda larga?
VC: Você sabe, todo ano a FCC faz um relatório para
ver como estamos desenvolvendo a banda larga. E você sabe, este aqui,
este relatório; todo servidor de internet está entre 85% e 107% da sua
capacidade anunciada, ou largura de banda. E eu não acho que nenhum de
nós na comunidade de pesquisa que mediram essas coisas viram números
próximos à banda anunciada. Então muitos de nós estamos coletando dados
independentemente de qualquer coisa que eles usam para gerar o
relatório, e nós vamos comparar para ver o que acontece.
GIZMODO: Quais são os dados que a FCC usa?
Bem, existe uma empresa chamada Sam Knows que eles contrataram, e
eles tem servidores por aí onde fazem as medições. Estamos confusos com o
resultado extremamente favorável, pelo menos eu considero assim. Mas
não sabemos como avaliar isso até que eles lancem os dados. Então uma
das coisas que a minha equipe no Google está fazendo é tentar pegar os
dados, e a metodologia usada para coletar e analisar as estatísticas.
Para que a gente possa reproduzir.
GIZMODO: Você se lembra de Matthew Broderick no filme Jogos de Guerra?
VC: Sim, foi em 1982, mais ou menos?
GIZMODO: 1981, 82? Quais eram seus pensamentos na época?
VC: Bem, é claro que era uma filme besta de
fantasia. Não seria fácil para uma criança hackear daquele jeito. Por
outro lado, era um filme divertido. Como qualquer outro entretenimento,
certo? Isso é chamado de suspensão voluntária de descrença para que você
possa se divertir. É por isso que continuo lendo O Senhos dos Anéis,
Harry Potter, O Mágico de Oz.
GIZMODO: Jogos Vorazes?
VC: Na verdade não vi nem li isso. Talvez eu
deveria. Sou um grande fã de ficção científica, mas normalmente coisas
dos anos 50 e 60. Um ótimo momento. Ray Bradburry, que morreu
recentemente. Orson Scott Card, um mais novo. Ele escreveu O Jogo do
Exterminador. Ele tem cerca de 15 ou 16 livros. Então são essas pessoas
que eu costumo ler.
GIZMODO: Você pegou a série Duna?
VC: A série Duna? Eu li o primeiro. E então eu meio
que… foi meio como ler Guerra e Paz de Tolstói. Mas eu também lia um
cara que morreu que era do JPL, ou Caltech, um desses caras. Robert L.
Forward. Que é um astrofísico. Nos livros ele se prende a coisas reais. E
no apêndice ele diria “Isso é como você constrói uma máquina do tempo.”
E você sabe, tirando o fato de que precisaria de uma quantidade de
energia que não temos agora “Oh, você precisa de um monopolo ou dois, ou
cinco”. Mas era um físico de credibilidade, ou um pouco extrapolado. E
agora o bóson de Higgs foi descoberto. Você pode meio que ver alguém
começar a extrapolar a teoria da gravidade quântica, porque agora você
tem uma partícula que supostamente serve para imbuir as coisas com
massa. Uma vez que você tem a partícula e o campo de força para massa,
você começa a trazer noções gravitacionais para o modelo padrão. Isso é
animador.
GIZMODO: Então seria como um grande imã?
VC: Bem, o que deve acontecer – o livro que você
deveria ler é chamado Time Masters, é sobre um cara que consegue criar
uma distorção espacial, é como um wormhole, tem a propriedade estranha
quando você vai de uma extremidade a outra mais rápido que a luz, se
estivesse viajando através de uma geodésica no universo. E assim que
você conseguir isso você faz uma máquina do tempo. Se você gostar das
consequências de ser capaz de fazer isso e gostar do fato de que é uma
extrapolação da física conhecida, para mim é bastante divertido. Porque
então você consegue imaginar que pode ser possível.
GIZMODO: E sobre Philip K. Dick?
VC: Não muito. Por mais que eu goste de O Senhor dos
Anéis e Harry Potter… eu não gosto que mexam com a minha ciência. Então
não mexa com a minha ciência.
GIZMODO: Então não existe ciência em Harry Potter?
VC: Bem, tem a varinha, mas…
GIZMODO: A maior parte das pessoas vai reconhecer
que o uso principal da internet é para ser uma ferramenta global para
acesso rápido e confiável a pornografia. Quais são seus pensamentos por
ser o pai desse veículo?
VC: Antes de tudo, o que eu acho que é mais aparente
sobre a rede, e a coisa que eu me tocou como sendo a mais interessante,
é que depois de Tim Berners-Lee agregar a ideia do World Wide Web, ele
codificou maneiras de apontar conteúdo e de transportar conteúdo, que
são o HTTP e o HTML. A implementação dessa ideia foi seguida pelos
navegadores e servidores.
Quando ele fez isso, era por volta de 1989, e o release oficial dos
seus primeiros navegadores e servidores saiu em 25 de dezembro de 1991. E
ninguém notou. Exceto dois caras, que se chamam Mark Andreessen e Eric
Bina, do Centro Nacional de Aplicações para Supercomputadores. Eles
desenvolveram o Mosaic, que foi a primeira versão gráfica dessa coisa.
Quando ela apareceu, por volta de 92, todo mundo ficou maluco. Porque,
de repente, a rede era colorida, era imagética, não era mais só texto.
Você não tinha mais que saber UNIX e algumas linhas de programação. De
uma hora para outra, qualquer pessoa podia usar a rede, pois ela era
visualmente intuitiva.
Uma das lições que eu aprendi com isso é que, assim que você torna
fácil para as pessoas criarem e compartilharem informação, elas fazem
isso. Elas não estão atrás de compensações monetárias. O que elas querem
é a satisfação por algo que elas sabiam, compartilharam, e é útil para
outra pessoa. Então, há esse tsunami de conteúdo, o que, claro, cria
imediatamente a necessidade de algum tipo de motor de busca, porque você
não consegue encontrar nada nesse oceano.
Então, ver as pessoas colocarem informações na rede era muito
empolgante. Claro, isso significava que o público geral ainda tinha que
ter acesso a isso. E há toda uma história sobre finalmente chegar nesse
ponto. Até 1988, nenhum acesso estava disponível para o público geral.
Havia apenas coisas bancadas pelos governos, sejam pesquisas
universitárias, departamentos de defesa ou outro tipo de coisa estatal.
Alguns de nós trabalhamos muito duro para quebrar essa limitação.
A partir do momento em que o público geral conseguiu a isso mais às
ferramentas da web, eles começaram a gerar conteúdo. Havia um outro
truque que pode ter sido intencional, mas não necessariamente com esta
intenção em mente, mas conseguia ter esse efeito. Era a possibilidade de
olhar para uma página web e perguntar para o navegador “Como isso foi
gerado? Mostre-me o HTML.” Isto é, ver ou exibir o código-fonte. Então
todos que estavam curiosos sobre como fazer páginas da web aprenderam a
fazer isso com as outras pessoas que já tinham feito uma. E fizeram isso
apenas olhando o código. E elas podiam brincar com isso, podiam copiar,
não havia controle de acesso, não havia restrições à propriedade
intelectual, as pessoas podiam simplesmente colocar suas páginas.
Então, tivemos webmasters que se inventaram de fato, aprendendo a
partir de todo mundo. E isso foi se propagando. Isso é parte do que
disparou esta avalanche. Qualquer um que quisesse podia escrever seu
próprio HTML. Então, a exposição do mecanismo permitiu que o público em
geral fizesse o que ele bem entendesse, e claro que isso é um reflexo da
nossa sociedade. A Internet é como um espelho. Ela reflete o que a
sociedade é. Então, as pessoas ficam irritadas com pornografia e
discurso de ódio, e ficam bravas com sites de terrorismo. Eu digo, todas
essas coisas ruins. Ou fraudes, abusos, stalking, todas essas coisas
ruins que acontecem. É verdade, elas acontecem sem a Internet, e
acontecem também na Internet, porque o público geral está lá. Bem. Então
temos aqui este espelho mostrando todas essas coisas ruins. A questão
é, então: o que acontece quando você vê coisas ruins no espelho? Bem,
você não conserta o espelho. A Internet é um espelho. Ela não faz nada
bom. Consertar a Internet não vai consertar o problema. Você tem que
consertar as pessoas que estão sendo refletidas no espelho.
GIZMODO: Um problemão para DARPA!
GIZMODO: Apenas voltando no TCP/IP por um segundo,
eu acho que isto é bem interessante em 1973… agora nos vivemos num mundo
em que cafeterias têm um endereço IP. Em que a TV está migrando para o
IP, tudo, quase todos os pedacinhos de dados que flui através do mundo é
—
VC: Embalado num pacote IP.
GIZMODO: Certo. Então, em 1973, você tinha alguma
ideia do que você estava fazendo, e esta é uma questão secundária, mas
por um instante eu lembro que se você instalava redes no começo dos anos
90, havia outros protocolos estranhos. Havia NetBIOS e IPS-XPS e todas
essas coisas. Por que o TCP/IP venceu?
VC: Foi uma batalha enorme. Deixe me tentar
responder suas duas perguntas. A primeira é, nós tínhamos alguma pista
do que ia acontecer? E claro, uma resposta honesta e literal seria não,
mas não seria precisa. Você tem que entender que, em 1973, a ARPANET já
estava em operação desde 1969, o começo dos anos 70. Então, nós tínhamos
três anos de experiência com ela. A razão para isso ser importante é
que, por volta de 1971, o email já havia sido inventado. A questão era
anterior, no tempo das máquinas, em que você tinha que mandar arquivos
para alguém, o que não tinha a mesma utilidade do email. Quando ele
apareceu, por volta de 1970, foi um hit instantâneo. Logo virou um
fenômeno social. Listas de email foram criadas rapidamente depois do
email aparecer. E as duas primeiras que eu lembro eram a Sci-fi Lovers e
a Yum Yum. Olha só, nós somos um bando de geeks!
GIZMODO: E o fórum um, vamos lá.
VC: Na verdade, essas coisas apareceram — Yum Yum
eram reviews de restaurantes vindas de Palo Alto. Sci-Fi Lovers, eu não
sei quem começou mas você sabe, nós falávamos dos livros que gostamos.
A pornografia não aparecia aí. Ela deu as caras na Usenet. Usenet é
outro fenômeno que temos aqui. É UNIX e UUCP. A Usenet era uma estrutura
muito inteligente para colocar alguma coisa na corrente e atingir todo
mundo. Há grandes discussões sobre quem administra, quais são os
tópicos, e outras coisas assim. Foi aí que isso começou, o
compartilhamento de imagens digitalizadas, e notícias em texto, e coisas
assim.
O que era interessante para nós é que, eventualmente, a Usenet imerge
na Internet. Isso também aconteceu com vários outros sistemas. BITNET
usa protocolo de transferências de arquivo, ou envio de partículas
remotas, para mover as coisas de uma máquina para outra. E mesmo assim,
ela cresceu demais… eventualmente ela também ficou submergida na
Internet também. Todos esses sistemas migraram para a Internet,
simplesmente porque a infraestrutura dela continuou crescendo e estava
disponível. E isso começou em parte por causa da comunidade acadêmica, e
investimentos feitos por organizações como a National Science
Foundation. Na verdade, gastaram dinheiro usando conexões internacionais
para ligar outras redes de pesquisa fora dos EUA ao resto da Internet
nos EUA. Então, esta prática regular de expandir o sistema para além do
ponto de vista governamental foi muito importante.
GIZMODO: Quanto tempo do seu trabalho você passa navegando na Internet?
VC: Não muito. Eu não fico navegando apenas pelo
prazer de navegar. Eu estou conectado, entretanto, usando muito o
Google. Mas é em grande parte para pegar informações específicas que
preciso. Se estou escrevendo um artigo ou preparando um discurso ou
fazendo outra coisa, tentando desenvolver um argumento político, eu
estou frequentemente buscando mais informações sempre que eu posso. Mas
nunca apenas navegando aleatoriamente. O que eu acho mais fascinante… eu
costumava escrever — há muitos, muitos anos, eu escrevia as coisas à
mão. E alguém iria datilografar isso. Então vieram os programas de
processar palavras, e eu gostei porque eu podia digitar rapidamente. E
depois de alguns anos usando estes programas, eu descobri que eu não
queria escrever nada mais.
Eu preferia ter essa ferramenta acessível. Então eu descobri, quando
acabou a luz e eu fiquei sem internet, e eu estava no meio de algum
texto, bem, eu ainda tinha meu laptop e bateria… Eu não queria escrever
ao menos que eu estivesse online. E o motivo era que eu não tinha a
liberdade de ir procurar alguma coisa enquanto escrevia. Eu quero dizer,
você começa a escrever e percebe que não sabe alguma coisa. E a
possibilidade de abrir uma página e procurar alguma coisa no Google… eu
fiquei surpreso por não querer sentar lá e digitar texto quando não
estava conectado. Eu não tinha percebido isso.
Então, eu fiquei muito viciado em ter acesso a informação todo o
tempo. Parece que nós estamos ficando acostumados a isso porque temos o
jargão da informação em nossas bolsas ou algo assim. Eu não sei o que
nós fazíamos quando ficávamos perdidos.
GIZMODO: Você acha que há implicações psicológicas causadas por esse vício?
VC: Houve alguns relatos de pessoas que dizem que
são viciadas em internet. Há quem diga que você deve pegar uma hora por
dia e simplesmente se desconectar. Só para lembrar como é não estar
conectado. Alguém disse que nós estamos ficando idiotas pois não
lembramos de mais nada, só usamos o Google?
Mas minha reação a essa linha de argumentação em particular é
imaginar que você acabou de inventar a escrita. E o contador de
histórias do vilarejo está indignado com a ideia. Ele diz, “Isso é
terrível. Ninguém vai lembrar mais nada. Vão só escrever. É terrível,
nossas memórias vão se desintegrar.” E agora nós sabemos que a escrita
se tornou algo muito importante.
Uma coisa com que eu realmente me preocupo é o potencial de perder o
pensamento crítico. Aqui vai uma pequena anedota. Eu estou dando uma
palestra, e a professora levanta e diz que elas está muito irritada com a
Internet. Agora, por quê isso? Os alunos vêm para a sala com seus
laptops. E eles estão conectados. E agora eu fico pensando que ela vai
reclamar que eles ficam no Facebook ou fazendo outras coisas? E eu falo,
bem, o que eles fazem? Ela diz que eles procuram as coisas de que ela
fala. E eu digo, qual o problema…? Bem, eles discutem. Mas isso é bom!
Isso significa que estão comprometidos! Você deve considerar isso um bom
sinal.
Então, eu digo que você deveria tirar proveito disso. Eis o que você
deve fazer. Você dá às pessoas a possibilidade de escolher qualquer uma
de dez páginas, você os dá as páginas para a pessoa e ela escolhe uma.
Sua tarefa deve ser olhar aquele website e analisar o conteúdo, voltar e
explicar por que você deve ou não acreditar nele. Ou quanta
credibilidade tem o site? VOCÊ precisa documentar seus resultados. E
esse trabalho não acaba se tudo que você faz é usar fontes online. Há um
lugar chamado biblioteca e lá tem essas coisas chamadas livros. E nem
toda biblioteca está conectada. E se você fazer uma diligência prévia na
qualidade e no conteúdo daquele site, você vai ter que ir à biblioteca
também.
Então, você precisa demonstrar essas duas coisas. O nome disso é
pensamento crítico, e é a habilidade mais importante que você pode ter.
Não apenas porque há várias informações erradas na rede. Há informações
erradas em todo o lugar. Você acha isso em jornais, revistas, TV, rádio,
filmes, seus amigos, seus pais… todos eles estão sujeitos a não
entender direito alguma coisa. Esta noção de ensinar as pessoas a serem
céticas com relação ao que elas leem e ouvem ou veem é uma habilidade
muito importante. Não tem que ser rude, não tem que ser “você é um
mentiroso e eu não acredito em nada do que você diz”, é meio que eu
quero tentar e decidir sozinho.
E eu acho que se nós não fizermos isso, vamos acabar com um monte de
pessoas que não têm qualquer discernimento. Porque não vamos ter a
capacidade de analisar coisa alguma. E eu considero esse o maior perigo.
Fonte: Uol
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